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Gaza: os fatos ·

Os pontos de ajuda que viraram campos de matança

Depois de 11 semanas de bloqueio total, a distribuição de comida em Gaza foi entregue a uma nova fundação apoiada por Israel e pelos EUA. Em dois meses, mais de 1.300 palestinos foram mortos tentando conseguir comida.

Palestinos deslocados com seus pertences e sacos de ajuda em uma escola da UNRWA em Deir al-Balah
Foto: Ashraf Amra · CC BY-SA 3.0 igo · Wikimedia Commons

O bloqueio

De 2 de março a 19 de maio de 2025, Israel impediu a entrada de alimentos, remédios e combustível em Gaza. Quando a comida voltou a ser liberada, a distribuição passou à Gaza Humanitarian Foundation, organização recém-criada e apoiada por Israel e pelos Estados Unidos, que substituiu centenas de pontos de distribuição da ONU por alguns poucos locais dentro de zonas militarizadas.

"Matança orquestrada"

Multidões famintas tinham de caminhar horas por áreas militares para chegar aos pontos. O escritório de direitos humanos da ONU registrou 1.373 palestinos mortos buscando comida entre 27 de maio e 31 de julho de 2025, 859 deles perto dos pontos da fundação. Os Médicos Sem Fronteiras afirmaram: "Isto não é ajuda. É matança orquestrada."

Nas palavras dos soldados

Em junho de 2025, o jornal israelense Haaretz publicou depoimentos de soldados que disseram ter recebido ordens de atirar contra multidões desarmadas perto dos pontos para dispersá-las. Um deles chamou a área de "campo de matança".

Assista a NAZA

"Naza" é a gíria militar israelense para danos colaterais: o número de civis que um oficial pode matar num ataque. Neste documentário, 24 oficiais de inteligência e soldados israelenses, muitos das unidades mais prestigiadas do exército, explicam como esse número foi definido, aprovado e ultrapassado em Gaza. Seus rostos e vozes estão disfarçados.

Agora nos cinemas e, depois da exibição, grátis no mundo todo em theguardian.com.

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