Gaza: os fatos ·
Lavender e "Where’s Daddy?": a máquina de alvos com IA por trás de NAZA
Um sistema de IA marcou dezenas de milhares de palestinos como alvos. Outro os rastreava até em casa, para que fossem bombardeados com as famílias. NAZA coloca diante da câmera os oficiais que os usaram.
Lavender
Em abril de 2024, a +972 Magazine e a Local Call publicaram uma investigação de Yuval Abraham baseada em seis oficiais de inteligência israelenses. Ela relatava que um sistema de IA chamado Lavender havia marcado cerca de 37.000 palestinos em Gaza como supostos militantes, e que os oficiais muitas vezes gastavam cerca de 20 segundos verificando cada nome antes de aprová-lo.
Sabia-se que o sistema errava em cerca de um a cada dez casos.
"Where’s Daddy?"
Um segundo sistema, apelidado de "Where’s Daddy?", rastreava os homens marcados e avisava os oficiais quando entravam na casa da família. Segundo a investigação, o exército preferia atacá-los ali, à noite, com as famílias dentro. Contra suspeitos de baixa patente, usava com frequência bombas "burras", não guiadas, capazes de derrubar um prédio inteiro.
O número permitido
Os oficiais disseram que podiam matar de 15 a 20 civis para cada suspeito de baixa patente e mais de 100 para um alto comandante. Outro sistema, o Gospel, gerava prédios como alvos em um ritmo que um ex-oficial comparou a uma "fábrica de assassinatos em massa".
O que NAZA acrescenta
Dois anos depois, NAZA coloca 24 oficiais de inteligência diante da câmera. Um dos capítulos se chama "Where’s Daddy?". Eles descrevem como observavam famílias por dias antes de os ataques serem aprovados, e descrevem o trabalho como "um videogame".
Assista a NAZA
"Naza" é a gíria militar israelense para danos colaterais: o número de civis que um oficial pode matar num ataque. Neste documentário, 24 oficiais de inteligência e soldados israelenses, muitos das unidades mais prestigiadas do exército, explicam como esse número foi definido, aprovado e ultrapassado em Gaza. Seus rostos e vozes estão disfarçados.
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